Segunda-feira, 15 de Junho de 2009

Primeiro foram os dedos

Primeiro foram os dedos
que travaram conhecimento.

Depois os olhos pousaram-me
na mão e levaram-na a percorrer
a curva da cintura. E a sua boca
procurou a minha boca
sem sobressaltos e deixou-a depois
para percorrer o meu corpo...

M. C. Loureiro

Sexta-feira, 12 de Junho de 2009

Deito-me ao teu lado...

Deito-me ao teu lado e meus dedos se desmoronam.
Já não têm onde morar, esconsos e sozinhos, no cós da tua calça...
Sinto o tremor do teu corpo, o zíper abrindo fendas num terremoto...


O mundo se agita. A calça se parte.
Minhas mãos são agora como fios de água
sugados pela fenda na terra e entram pelos tecidos de poliamida e algodão....
Minha boca te esconde em porões à prova de sismo:
o teu corpo treme, as ondas se espalham.
Pobre homem, não te assusta...
a minha saliva te queima, mas minha língua te acalma:
a minha boca é só um vulcão ao contrário.

Rita Apoena

Domingo, 7 de Junho de 2009

Puxei a manga da camisa...

Puxei a manga da camisa um pouco pra cima
perto do cotovelo, e abri o botão calmamente
como se fizesse isso todo dia na tua frente
não te olhei como amigo nem professor
e não liguei para o namorado que tinhas
...
eu era mais ousado e você mais coerente
tinha certeza de tudo mas não se mexia
passei a mão no teu cabelo
te beijei na testa, no queixo
beijei tua nuca e tua boca...
e fui o primeiro homem nu da tua vida.

Adaptado: M. Medeiros


Domingo, 31 de Maio de 2009

Lê-me

Lê-me como se eu fosse um livro,
descobre-me em cada página,
conhece-me em cada palavra...
cheira-me com o mesmo desejo
com que se cheira o papel novo...

toca-me com suavidade
e folheia-me a cada dia,
como se eu fosse o primeiro
livro que lês...

deixarei em mim, páginas
com espaços em branco
para que tu mesmo, escrevas
e ilustres a nossa história...

nunca me feches, guarda-me junto a ti
para me leres nas horas boas e horas más,
abre o meu sorriso e inunda-te com ele,
bebe as minhas palavras
e entra na minha vida,
esta que é, um livro que lês...

Desconhecido

Domingo, 24 de Maio de 2009

Quando

Quando enfim abri os olhos,
debruçado sobre ti, eu olhava teus cabelos finos
tão leves, como um tênue mistério em tua nuca...
E o pequenino lóbulo de tua orelha
onde pendurei o brinco do meu beijo.

E fiquei a pensar que eu estava ali, tão presente
em ti
e nem me vias...
...Tu estavas do outro lado,
em toda parte de minha vida,
e nem sabias...

J.G. de Araújo Jorge

Quarta-feira, 20 de Maio de 2009

Volúpias

Morena...
Que chega e abala os meus sentidos
Que inspira, de modo doce e fatal,
Meus desejos e instintos mais proibidos.

Essa moreninha...
Que me enfeitiça com seu olhar inocente
Quando deitada de bruços
Com seu jeito sensual e displicente
Balança os pés, denotando a suavíssima penugem
Que atravessa-lhe o dorso reluzente.

Essa morena...
Que brinca com meus pálidos receios
Com tua inocência pueril
Cabelos ao vento e jeito de menina
Quero vê-la nua, o dorso nu, teus delicados seios.

Imaginar-te, é querer-te despida agora
Deitada... nua, toda nua, como uma rosa por desabrochar
Teu corpo moreno, doce veneno,
Acalenta-me, arde, devora,
Sobre brancos lençóis, todas as curvas a se mostrar
De cândidas mãos a envolver o objeto do meu desejo
E o ventre imaculado como a implorar por um beijo.








Moreninha, eu te desejo sim
Deleite, fascinação que bateu em mim
Em teu ser esconde a minha dor e delícia
De querer e não ter de ti
O beijo e a mais pura carícia.

Menina...
Minha boca tem sede dos teus beijos...
Eu me perco sob as tuas curvas,
Em tua pele, teu cheiro...
Eu me deleitaria no suco do teu desejo
E no calor dos teus seios
Oh, morena... eu não morreria sem um dia
Te possuir sem mais pudor e sem receios.